A Rosatom concedeu permissões para sete navios operados pela chinesa Sealegend Shipping navegarem pela Rota Marítima do Norte, enquanto a empresa prepara o primeiro serviço semanal regular de contêineres entre China e Europa pelo corredor ártico. O programa marca a passagem de viagens experimentais isoladas para um modelo de linha com horários durante a temporada de navegação de 2026.
A Sealegend planeja oito viagens com uma frota de sete porta-contêineres pequenos e médios entre agosto e outubro. As partidas devem ocorrer semanalmente, mas o serviço continua sendo um programa de teste cuja operação depende das condições de gelo e das autorizações de navegação ao longo da rota controlada pela Rússia.
A lógica comercial se apoia em um teste de 2025, quando um porta-contêineres chinês chegou ao porto britânico de Felixstowe em 13 de outubro depois de uma viagem de 20 dias. A Rosatom comparou esse trânsito aos cerca de 37 dias pelo canal de Suez, apresentando a passagem ártica como uma ligação sazonal mais rápida entre centros produtivos asiáticos e portos europeus.
O uso chinês da rota cresceu de forma constante, de sete viagens de contêineres em 2023 para 14 em 2024 e 24 em 2025. A Rosatom espera mais de 30 em 2026, indicando que o novo cronograma semanal faz parte de uma expansão ampla e não de um experimento marítimo isolado.
As cargas entre portos chineses e russos já representam quase 15% de todo o tráfego da Rota Marítima do Norte. O planejamento conjunto pretende elevar para 20 milhões de toneladas os volumes entre Rússia e China no corredor até 2030, dando ao projeto um papel tanto no trânsito internacional quanto no comércio bilateral.
O lançamento também é apresentado como alternativa diante das interrupções persistentes no golfo Pérsico. A passagem comercial pelo estreito de Ormuz foi fechada formalmente quatro vezes nos últimos dois meses, aumentando o interesse por rotas que contornem o Golfo e Suez, embora a opção ártica continue sazonal e dependa operacionalmente do gelo e de infraestrutura especializada.
Desde 2018, a Rosatom atua como operadora estatal responsável pelo desenvolvimento da infraestrutura da Rota Marítima do Norte, incluindo a frota russa de quebra-gelos nucleares. A corporação estuda uma linha dedicada de contêineres e portos concentradores nos extremos oriental e ocidental do corredor, investimentos necessários para transformar viagens regulares de teste em um sistema de transporte maior e mais confiável.



