A Rússia busca novas receitas de mineradoras, investidores e consumidores enquanto a invasão da Ucrânia mantém pressão sobre as finanças públicas. O orçamento de 2027–2029 passou pela primeira votação parlamentar junto com medidas tributárias anunciadas apenas depois das eleições de setembro.
O déficit alcançou 5,8 trilhões de rublos, cerca de US$ 72 bilhões, até agosto. Ficou quase 50% acima do ano anterior e superou a meta anual revisada de 4,8 trilhões. Gastos militares, baixo crescimento civil, sanções, falta de trabalhadores e ataques à infraestrutura energética contribuíram.
O pacote é mais seletivo que a alta geral do IVA no ano passado. Propõe imposto extraordinário de 20% a 30% sobre produtores de ferro, níquel e ouro, além de elevar para 13%–22% as alíquotas sobre juros, dividendos e venda de imóveis.
Consumidores e investidores estrangeiros terão novas cobranças em janeiro. Pequenos pacotes importados pagariam 100 rublos e 22% de IVA mesmo abaixo da antiga isenção de € 200. Dividendos em contas restritas para investidores de países “hostis” seriam tributados em 35%.
Empresas estrangeiras também se tornaram possíveis fontes fiscais. A subsidiária russa da alemã Metro ficou sob administração temporária e destinou um bilhão de rublos a um fundo para veículos, comunicações e sistemas antidrones. A matriz afirmou não controlar nem apoiar o pagamento.
Os números ainda não indicam crise: a dívida é baixa, o desemprego está em nível recorde e o petróleo gera receitas elevadas. Mas sanções fecham mercados internacionais, bancos domésticos exigem condições melhores e os ativos líquidos do Fundo Nacional de Riqueza caíram a 1,7% do PIB.
O risco maior é a erosão prolongada do investimento civil e do bem-estar. Indústrias militares recebem demanda estatal enquanto infraestrutura e empresas comuns sofrem. Sem novos impostos, cortes ou empréstimos bancários forçados, as reservas podem acabar no início de 2028.



