Líderes do Senado elaboraram um acordo de gastos de curto prazo para manter as agências federais em funcionamento até 11 de dezembro e afastar a ameaça de paralisação do governo dos últimos meses da campanha de meio de mandato. A votação deve ocorrer antes do recesso de agosto.
A medida preservaria em linhas gerais os níveis atuais de financiamento e daria ao Congresso mais tempo para concluir as doze leis anuais de dotações antes do fim da extensão. A Câmara aprovou um projeto semelhante, mas a versão do Senado contém exceções negociadas que ainda terão de ser conciliadas entre as duas casas.
Os democratas afirmam que o acordo exclui um pedido da Casa Branca de US$ 1 bilhão para construir uma classe de encouraçados com o nome do presidente Donald Trump. O texto também impede a administração de transferir recursos de outros programas para a Patrulha de Fronteira, diferença relevante em relação ao projeto da Câmara.
A decisão ocorre com antecedência incomum. O Congresso geralmente deixa o financiamento temporário para os últimos dias antes do encerramento do ano fiscal, em 30 de setembro, mas os senadores agem quase dois meses antes. O líder da maioria, John Thune, tornou a aprovação uma prioridade após duas paralisações recordes em dez meses.
Os dois partidos têm interesse eleitoral em evitar uma nova interrupção. Pesquisas após a paralisação de 43 dias no último outono indicaram que nenhum lado escapou da culpa, enquanto outra disputa sobre verbas do Departamento de Segurança Interna levou 76 dias para ser resolvida diante de exigências democratas por mudanças nas operações migratórias.
A prorrogação adiaria, sem resolver, o conflito orçamentário central. Os republicanos buscam forte aumento dos gastos militares e cortes em programas não relacionados à defesa. Trump propôs reduzir em 10% os gastos não militares e elevar o orçamento de defesa em cerca de 44%.
O acordo também suspenderia uma regra da Casa Branca que obriga altos nomeados políticos a verificar se pedidos de subsídios discricionários atendem às prioridades presidenciais. Susan Collins, presidente do Comitê de Dotações, e Patty Murray, principal democrata do painel, afirmam que a norma poderia politizar recursos e prejudicar comunidades rurais, famílias e pesquisa biomédica.
Os líderes democratas querem eliminar essa política, enquanto o Escritório de Administração e Orçamento a apresenta como salvaguarda contra desperdício e uso indevido. O acordo reduz o risco imediato de paralisação, mas leva para a próxima negociação as disputas sobre gastos, fronteira e controle executivo dos subsídios federais.



