As vendas de veículos de marcas chinesas no México saltaram quase 30% no primeiro semestre do ano, capturando 17% do mercado de veículos novos do país, segundo um relatório de distribuidores obtido pela Reuters. O salto ocorreu apesar de uma tarifa de 50% imposta em janeiro, uma medida destinada a conter o rápido influxo de importações asiáticas e proteger empregos domésticos[reference:45].
As marcas chinesas representaram 137.525 das vendas do primeiro semestre de 2026, contra 107.712 no mesmo período do ano passado, segundo dados da Associação Mexicana de Distribuidores de Automóveis. A BYD, maior montadora da China, manteve-se como a principal player no mercado mexicano, embora suas vendas tenham caído ligeiramente para 33.969 de 34.606. A Geely registrou o maior crescimento, seguida pela MG Motor, Changan e Chirey[reference:46].
A rápida expansão alarmou autoridades americanas, que temem que o México se torne uma plataforma de lançamento para empresas chinesas que buscam entrar no mercado dos EUA, potencialmente perturbando uma indústria que contribui com US$ 1,2 trilhão anualmente para a economia americana[reference:47]. A questão tornou-se um ponto crítico nas negociações sobre o futuro do pacto comercial norte-americano, com uma terceira rodada de conversas entre autoridades americanas e mexicanas prevista para terça-feira na Cidade do México[reference:48].
O vice-ministro mexicano de Comércio Exterior, Luis Rosendo Gutiérrez, contestou os números de vendas, argumentando que são enganosos porque as montadoras chinesas acumularam estoques substanciais antes do aumento das tarifas[reference:49]. O impacto real, disse ele, é visível na queda de 43% nas importações de veículos de marcas chinesas durante os primeiros cinco meses do ano, em comparação com o mesmo período do ano passado[reference:50].
"O importante não são os números de vendas. O importante é que as medidas interromperam as importações de veículos da Ásia", disse Gutiérrez[reference:51]. Os dados sugerem que, embora as tarifas possam estar a conter novos embarques, o estoque existente de veículos já no país está sendo vendido, inflando temporariamente os números de vendas.
O crescimento das marcas chinesas no México tem sido extraordinário. De menos de 1% de participação de mercado em 2020, subiram para 7% em 2022 e atingiram 17% no primeiro semestre deste ano[reference:52]. Guillermo Rosales, presidente executivo da associação de distribuidores, disse que as marcas chinesas provavelmente continuarão a ganhar participação de mercado, embora a um ritmo mais lento do que nos últimos anos, à medida que o mercado se satura[reference:53].
A situação destaca a dinâmica complexa do comércio global, onde as barreiras tarifárias destinadas a proteger as indústrias nacionais podem ser contornadas através da gestão estratégica de stocks, deixando os decisores políticos a lidar com consequências não intencionais que obscurecem o verdadeiro quadro das tendências de importação.



