Oceania

As eleições de meio de mandato nos EUA enviam um alerta à Austrália sobre preços, centros de dados e política de alianças

O controle do Congresso pelos Democratas cria novos canais para Canberra, mas a mesma ira dos eleitores sobre combustíveis, custos de vida e encargos de infraestrutura está crescendo internamente.

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A vitória dos Democratas nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos mudou o terreno político para a aliança da Austrália, ao mesmo tempo em que oferece um alerta doméstico ao governo de Anthony Albanese. Analistas dizem que a pressão sobre o custo de vida, os preços dos combustíveis e a hostilidade em relação a projetos de centros de dados ajudaram a reverter o controle do Congresso e possuem claros paralelos na Austrália.

A guerra do Irã já havia prejudicado a confiança na gestão econômica ao aumentar os custos de energia e a incerteza. Após o resultado das eleições, o petróleo Brent caiu cerca de vinte por cento em relação aos níveis que ameaçavam superar o pico de abril, melhorando a perspectiva para a inflação e reduzindo a pressão por novos aumentos da taxa de juros.

O ex-embaixador Arthur Sinodinos disse que Canberra deveria continuar trabalhando com a administração Trump enquanto constrói relacionamentos com a nova liderança democrata no Congresso. Os comitês que controlam autorizações e dotações serão importantes para o AUKUS, o investimento na indústria de submarinos, o apoio à Ucrânia e os projetos de lei de defesa necessários para sustentar esses programas.

Abe Denmark, um ex-oficial dos EUA envolvido no AUKUS, alertou para não tratar o resultado como uma simples reversão de política. O poder será disperso entre presidentes democratas, republicanos dispostos a quebrar a disciplina do partido e candidatos presidenciais se preparando para 2028, criando mais pontos de acesso, mas também mais ruído político.

Os centros de dados criam um segundo alerta. Comunidades em vários polos tecnológicos americanos se opuseram às grandes demandas por terra, eletricidade e água. A Austrália está planejando uma legislação importante sobre IA para 2027, e políticos do Partido Verde argumentam que os eleitores resistirão a subsidiar a infraestrutura quando os benefícios são incertos e os recursos locais estão limitados.

O Primeiro-Ministro interino Richard Marles disse que os projetos precisam de licença social, locais apropriados e fornecimento dedicado de energia e água. Isso reconhece que as ambições nacionais para inteligência artificial não podem ser separadas do planejamento, da capacidade da rede, do impacto ambiental e de se as famílias acreditam que grandes empresas de tecnologia estão recebendo tratamento preferencial.

Para a Austrália, a lição não é copiar o resultado americano, mas reconhecer as mesmas linhas de falha política. Canberra deve diversificar seus relacionamentos com Washington, proteger a cooperação de defesa a longo prazo e mostrar aos eleitores que as políticas de energia e tecnologia melhoram as condições das famílias, em vez de transferir custos públicos para parceiros estratégicos ou corporações.