Cerca de 2 mil manifestantes bloquearam no domingo uma marcha da Ordem de Orange pela área católica de Garvaghy Road, em Portadown. O impasse surgiu depois de a Suprema Corte rejeitar nova tentativa dos moradores após um tribunal de apelação derrubar uma liminar temporária.
A marcha seria a primeira pela rota contestada após proibição de quase trinta anos. A Comissão de Desfiles autorizou um grupo menor de 35 participantes entre 8h e 9h30, mas a multidão impediu que o evento começasse.
A primeira-ministra Michelle O'Neill e a líder do Sinn Féin Mary Lou McDonald juntaram-se aos moradores reunidos durante a noite sob chuva. Viaturas e policiais de choque alertaram que bloquear a rua era crime enquanto mantinham distância entre os grupos.
A disputa de Garvaghy Road tornou-se símbolo da divisão nos anos 1990, quando tentativas da Ordem de Orange de entrar no enclave católico provocaram conflitos. A rota foi proibida em 1998, ano em que o Acordo da Sexta-Feira Santa encerrou em grande parte os Troubles.
O primeiro-ministro britânico Andy Burnham e o irlandês Micheál Martin, cujos governos garantem o acordo, pediram calma. Martin chamou a permissão de incompreensível e errada, enquanto Burnham alertou contra um retrocesso dos avanços políticos da Irlanda do Norte.
A Ordem de Orange descreve suas marchas, faixas laranja e chapéus-coco como expressões da cultura protestante. Nacionalistas dizem que atravessar bairros católicos comunica triunfalismo e intimidação, tornando a rota mais do que questão de trânsito ou acesso cerimonial.
O ministro britânico Chris Bryant poderia revogar a decisão se a polícia pedisse, mas disse não ter recebido solicitação. O'Neill alertou que o episódio testava o processo de paz, enquanto o unionista Gavin Robinson acusou dirigentes do Sinn Féin de aderir a protesto ilegal.



