O candidato presidencial brasileiro Flávio Bolsonaro escolheu o deputado federal Alfredo Gaspar como vice para a eleição de outubro. A decisão completa a chapa do Partido Liberal depois que partidos de centro, em sua maioria, recusaram apoio à campanha de Bolsonaro ou optaram pela neutralidade.
Bolsonaro, senador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi confirmado no mês passado como candidato presidencial do partido de seu pai. Ele enfrentará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com possibilidade de segundo turno se nenhum concorrente obtiver maioria na primeira votação.
Gaspar ocupa uma cadeira na Câmara dos Deputados desde 2023. Suas funções anteriores como promotor e secretário de Segurança Pública do estado nordestino de Alagoas dão à chapa um candidato com perfil ligado à aplicação da lei e raízes políticas fora dos centros de poder do Sudeste brasileiro.
A escolha também reflete a dificuldade de Bolsonaro em atrair um candidato a vice-presidente do centro político. Diferentemente da coalizão que sustentou a presidência de seu pai, sua campanha atual não tem o apoio de vários partidos centristas que tradicionalmente oferecem alcance no Congresso e alianças eleitorais mais amplas.
Bolsonaro tentou atrair a ministra da Agricultura Tereza Cristina como uma vice de maior projeção, mas não conseguiu sua participação. O partido dela tem influência significativa no Congresso, foi importante para o governo de Jair Bolsonaro e não pretendia lançar candidato próprio à Presidência, tornando politicamente relevante seu afastamento de Flávio Bolsonaro.
A indicação chega após uma série de reveses para a campanha. O apoio começou a enfraquecer em maio, quando Bolsonaro reconheceu ter pedido milhões de dólares ao banqueiro preso Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre a vida de seu pai, revelação que abalou aliados.
Bolsonaro promoveu depois os vínculos de sua família com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante visitas à Casa Branca e ao Departamento de Estado. Esse posicionamento internacional se transformou em passivo doméstico quando políticos, empresários e eleitores o responsabilizaram pelas tarifas americanas de até 37,5% sobre algumas exportações brasileiras.
Uma disputa pública com sua madrasta em junho acrescentou outra complicação antes da reconciliação entre os dois. Ao escolher Gaspar, Bolsonaro completou a chapa, mas não resolveu o desafio mais amplo de ultrapassar a base do Partido Liberal e reunir o apoio centrista necessário para disputar a eleição com Lula.



