O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou que o Brasil negou vistos a dois integrantes do governo dos Estados Unidos que planejavam visitar o país antes da eleição geral de outubro. Ele disse que o governo entendeu que a viagem poderia ser usada para interferir no processo.
Os funcionários pertencem à administração Trump e deveriam levantar dúvidas sobre a integridade do sistema eleitoral brasileiro. Lula apresentou a decisão como medida defensiva contra participação estrangeira em uma disputa central para a soberania nacional.
O Departamento de Estado rejeitou a acusação de que a visita pretendia enfraquecer a eleição. Descreveu a viagem como atividade de rotina dentro do mandato do Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho.
Os eleitores escolherão entre Lula, que busca outro mandato, e o senador Flávio Bolsonaro, aliado de direita de Donald Trump e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. O alinhamento internacional dos candidatos passou a integrar a campanha doméstica.
Lula inseriu o episódio em um padrão mais amplo de apoio de Trump a líderes conservadores latino-americanos, entre eles Javier Milei, na Argentina, José Antonio Kast, no Chile, e o presidente eleito colombiano Abelardo de la Espriella.
Apesar da disputa, Lula afirmou que não quer confronto com Trump. Ele apresentou a resposta brasileira como defesa do processo eleitoral e uma batalha de narrativas políticas, não como passo para uma ruptura bilateral mais ampla.



