Um novo modelo norte-americano de assistência bilateral à saúde enfrenta resistência em vários países africanos por exigências sobre dados médicos, autoridade regulatória e minerais críticos. Washington assinou memorandos com mais de 30 países desde dezembro de 2025, com valor declarado total de 20 bilhões de dólares.
Gana recusou um acordo de cinco anos após contestar cláusulas que dariam acesso prolongado a prontuários, metadados, painéis e sistemas. Autoridades de proteção de dados também temem que várias entidades dos EUA possam acessar informações sem aprovação nacional prévia.
Os termos para Gana incluíam acesso por 25 anos, possível integração em tempo real da base biométrica GhanaCard e entrada de medicamentos aprovados nos EUA sem revisão separada pelo regulador local. Autoridades apontaram limites constitucionais e legais de privacidade e segurança cibernética.
O Quênia assinou um marco em que os Estados Unidos prometeram cerca de 1,6 bilhão de dólares em cinco anos e o país contribuiria com 850 milhões. Houve ações judiciais sobre transferências e implementação; uma suspensão foi revertida em recurso e a decisão final é esperada no fim de outubro.
A disputa aumentou em torno de uma instalação de isolamento com 50 leitos na base aérea de Laikipia. Sete trabalhadores norte-americanos iniciaram quarentena de 21 dias após atuar contra o Ebola, apesar de protestos sobre o risco de levar o vírus a um país sem casos. Três pessoas morreram na dispersão das manifestações.
O Zimbábue rejeitou uma proposta de 300 milhões de dólares por acesso prolongado a dados biológicos sem garantia de vacinas ou tratamentos resultantes. A Zâmbia adiou acordo de até 2 bilhões por cláusulas de dados e pela tentativa de ligar saúde ao acesso a cobre, cobalto e lítio.
Os acordos também levantam dúvidas sobre reguladores e tribunais nacionais. Alguns termos aplicariam aprovações farmacêuticas e leis dos EUA ou dariam imunidade a pessoal norte-americano, podendo reduzir a autoridade africana sobre medicamentos, privacidade e reparação judicial.
Governos e organizações civis defendem parcerias que preservem o controle de dados, regulação e política mineral. A disputa não rejeita a cooperação em saúde; questiona se as condições transferem ativos estratégicos e poderes jurídicos duradouros em troca de ajuda cujo financiamento permanece condicionado.



