Brasil e Coreia do Sul concordaram em Brasília em formar um grupo de trabalho para acelerar as negociações de um acordo comercial entre Seul e o Mercosul. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou o mecanismo ao lado do presidente sul-coreano Lee Jae Myung, que classificou a conclusão de um acordo como urgente.
O Mercosul reúne Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Um acordo com a Coreia do Sul acrescentaria outra frente asiática à estratégia comercial externa do bloco após tratados com a União Europeia e os quatro membros da Associação Europeia de Livre Comércio: Suíça, Islândia, Liechtenstein e Noruega.
O Brasil busca novos acordos sozinho e por meio do Mercosul para diversificar suas relações comerciais. O esforço ganhou urgência porque tarifas dos Estados Unidos afetam as exportações brasileiras e aumentam o valor do acesso a outros mercados e parceiros de investimento.
A iniciativa sul-coreana faz parte de uma série mais ampla de contatos brasileiros. No início do mesmo dia, Lula e o presidente chinês, Xi Jinping, apoiaram avanços em um possível acordo China-Mercosul, ampliando o relacionamento do bloco com grandes economias asiáticas.
As conversas em Brasília também trataram do acesso para exportações brasileiras de alimentos. Lula disse que uma missão sul-coreana viajaria ao Brasil no mês seguinte para fazer avaliações sanitárias de frigoríficos, etapa técnica necessária antes de maior abertura do mercado.
Minerais críticos se tornaram o segundo grande setor da agenda bilateral. Lee afirmou que os governos concordaram em ampliar a cooperação, conectando a base de recursos brasileira às cadeias industriais e tecnológicas da Coreia do Sul.
A reunião ocorreu cinco meses depois de uma cúpula entre Lula e Lee em Seul. O grupo de trabalho dá um canal institucional à discussão, mas nenhum líder anunciou calendário, termos de acesso aos mercados ou prazo para concluir o acordo.
O avanço dependerá da coordenação entre os quatro membros do Mercosul e da solução de sensibilidades setoriais nos dois mercados. A combinação de negociações, inspeções sanitárias e cooperação mineral oferece, porém, várias rotas para aprofundar vínculos e reduzir a exposição a um grupo limitado de parceiros.



