A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) endossou formalmente o gasoduto atlântico Nigéria-Marrocos, um dos projetos de infraestrutura energética mais ambiciosos já concebidos no continente africano. Os Estados membros assinaram um acordo intergovernamental no domingo em Freetown, Serra Leoa, de acordo com uma declaração conjunta da agência marroquina de hidrocarbonetos ONHYM e da empresa petrolífera estatal nigeriana NNPC.
O gasoduto, acordado pela primeira vez há uma década entre o rei marroquino e o presidente nigeriano, foi projetado para transportar até 30 mil milhões de metros cúbicos de gás natural por ano. Estender-se-á por aproximadamente 6.900 quilómetros ao longo de uma rota híbrida offshore-onshore, atravessando 13 países da África Ocidental antes de chegar a Marrocos. Dessa capacidade total, 15 mil milhões de metros cúbicos por ano serão canalizados para os mercados marroquino e europeu através de um gasoduto existente que liga Marrocos à Espanha.
Estimado em 25 mil milhões de dólares, o projeto já concluiu os seus estudos de viabilidade e as fases de engenharia de design de front-end. Os seus defensores veem-no como uma iniciativa de infraestrutura transformadora capaz de remodelar o panorama energético da região. O gasoduto visa impulsionar a integração económica em toda a África Ocidental, expandindo a geração de eletricidade e facilitando o desenvolvimento industrial e mineiro, ao mesmo tempo que posiciona Marrocos como uma ponte energética estratégica entre África e Europa.
O acordo assinado em Freetown representa um marco significativo na passagem do projeto do planeamento para a execução. Fornece o quadro político e legal necessário para que os Estados participantes coordenem a construção, o financiamento e as questões regulamentares. O próximo passo envolverá a assinatura de um acordo bilateral separado entre Marrocos e a Mauritânia, rica em gás, que deverá ocorrer posteriormente na presença do presidente nigeriano.
Para a África Ocidental, o gasoduto promete desbloquear novas oportunidades económicas, fornecendo fornecimentos fiáveis de gás natural a países que há muito lutam com défices energéticos. Um melhor acesso à geração de eletricidade a gás pode acelerar a industrialização, apoiar as operações mineiras e reduzir a dependência de combustíveis importados caros. O projeto também oferece uma potencial rota de exportação para o gás nigeriano, diversificando os mercados para além dos compradores tradicionais.
O endosso da CEDEAO ocorre num momento em que os mercados energéticos globais estão cada vez mais focados na diversificação das fontes de abastecimento. O gasoduto ofereceria à Europa uma alternativa ao gás russo, ao mesmo tempo que daria aos produtores africanos uma ligação direta aos consumidores europeus. Também está alinhado com os esforços mais amplos para desenvolver infraestruturas energéticas regionais no âmbito da Agenda 2063 da União Africana.
Embora o projeto ainda enfrente desafios significativos — incluindo financiamento, segurança e coordenação entre múltiplas jurisdições — o acordo intergovernamental marca um passo decisivo em frente. Os próximos meses serão críticos à medida que os Estados signatários trabalham para traduzir o compromisso político em progresso tangível no terreno.



