Investigadores das Nações Unidas detalharam redes transnacionais que forneceram pessoas, armas, financiamento, logística e treinamento às forças em guerra no Sudão. O relatório da Missão Internacional Independente de Apuração apresentou o apoio externo como fator central no prolongamento do conflito iniciado em abril de 2023.
A guerra entre as forças armadas sudanesas e os paramilitares das Forças de Apoio Rápido matou pelo menos 59 mil pessoas, deslocou cerca de 13 milhões e levou partes do país à fome. Os investigadores alertaram que a ajuda estrangeira ampliou a capacidade dos dois lados de continuar lutando.
A missão rastreou uma rede envolvendo Emirados Árabes Unidos, Colômbia e Chade que recrutou e transportou contratados para as FAR. Colombianos trouxeram experiência com armas avançadas e drones, enquanto entidades registradas ou ligadas aos Emirados tiveram papéis importantes no financiamento, transporte e deslocamento.
Os Emirados negaram apoio militar às FAR. Os investigadores também constataram que drones fornecidos do exterior aumentaram as capacidades do Exército sudanês, embora tenham classificado várias conclusões sobre apoio estrangeiro como preliminares e solicitado mais investigação e cooperação.
Ataques de drones das duas forças atingiram civis e infraestrutura essencial e podem configurar crimes de guerra. O relatório vinculou combatentes treinados no exterior às mortes nos ataques de 2025 ao campo de deslocados de Zamzam e a El Fasher, onde civis foram baleados em casas e ruas.
Mais de 100 mil pessoas fugiram de El Fasher durante a ofensiva, e imagens de satélite pareciam mostrar possíveis valas comuns e corpos queimados. Os achados inserem a movimentação de pessoal e tecnologia estrangeiros em uma campanha marcada por deslocamento em massa e destruição da proteção civil.
Chade, Colômbia e Emirados cooperaram com a missão, enquanto vários países vizinhos não deram respostas substantivas e nem o Exército sudanês nem as FAR colaboraram. O acesso desigual limitou a reconstrução da rota completa de equipamentos, dinheiro e combatentes que entram no país.
Os investigadores pediram ao Conselho de Segurança que estenda o embargo de armas a todo o Sudão e restrinja o fluxo de armamento, financiamento, pessoal e tecnologia. A proposta transforma facilitadores externos em alvo direto da ação internacional, sem reduzir a guerra a duas forças domésticas.



