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Brasil retoma megaprojeto de fertilizantes para redesenhar o mapa de abastecimento de ureia

Os contratos para concluir a unidade UFN-III da Petrobras destravam mais de R$ 5 bilhões em investimentos, com produção prevista para 2029 e capacidade equivalente a cerca de 16% da demanda atual de ureia do Brasil.

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O Brasil avançou na retomada da construção do complexo de fertilizantes nitrogenados UFN-III, da Petrobras, em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, com a assinatura dos contratos necessários para concluir um projeto paralisado desde 2015. A unidade integra o programa nacional de aceleração da infraestrutura e deverá receber mais de R$ 5 bilhões em investimentos.

O início da operação comercial está previsto para 2029. Em plena capacidade, o complexo foi projetado para produzir 3,6 mil toneladas diárias de ureia granulada e 2,2 mil toneladas diárias de amônia. A produção anual de ureia deverá alcançar aproximadamente 1,3 milhão de toneladas, volume equivalente a cerca de 16% da demanda nacional.

A localização aproxima a nova produção do principal cinturão de consumo agrícola do país. O Centro-Oeste responde por cerca de 40% da demanda brasileira de ureia, impulsionada pelas culturas de milho, cana-de-açúcar e algodão, além das pastagens. Três Lagoas também oferece proximidade logística com polos produtores de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo.

Essa geografia é central para o papel econômico do projeto. A produção doméstica próxima das grandes regiões consumidoras pode encurtar rotas de abastecimento, reduzir a exposição às importações marítimas e melhorar a confiabilidade das entregas durante os ciclos de plantio. Também pode diminuir parte dos custos logísticos enfrentados por produtores rurais distantes dos portos de entrada.

A UFN-III é um dos quatro ativos de fertilizantes da carteira atual da Petrobras, ao lado de Fafen-BA, Fafen-SE e ANSA. Com as quatro unidades em operação, a empresa projeta que a produção nacional poderá atender cerca de 35% do mercado brasileiro de ureia até 2029.

O projeto, portanto, altera mais do que a capacidade industrial. Ele redesenha parte do mapa brasileiro de fertilizantes ao conectar produção estatal, demanda agrícola do interior e uma estratégia mais ampla de redução da dependência externa em um setor que afeta diretamente os custos da produção de alimentos e a segurança nacional do abastecimento.