Os bloqueios rodoviários na Bolívia diminuíram de forma expressiva depois que o governo chegou a um acordo com a Central Operária Boliviana e decretou estado de exceção após 50 dias de protestos. O número de vias interrompidas caiu de mais de 80 em alguns dias recentes para 31 na manhã de domingo e, posteriormente, para 12 ao longo do mesmo dia.
A medida de exceção, confirmada pelo Parlamento na madrugada de 21 de junho, permite ao governo impor toque de recolher em determinadas áreas e mobilizar as Forças Armadas. Os protestos contestam as políticas do presidente Rodrigo Paz e se intensificaram após a aprovação de uma lei de terras criticada por organizações camponesas.
Um dia antes do decreto, Paz assinou um acordo com a Central Operária Boliviana, principal central sindical do país. Seu presidente, Mario Argollo, afirmou que o entendimento será testado durante 90 dias e pediu aos demais grupos que suspendam os bloqueios para contribuir com a pacificação nacional.
O acordo inclui compromissos de não criminalizar os protestos nem perseguir lideranças sociais ou sindicais. Também cria uma comissão conjunta para tratar da libertação de dirigentes detidos durante as manifestações e descarta a privatização de empresas públicas estratégicas ou a entrega de recursos nacionais a interesses privados.
Paz declarou que o governo fortalecerá a mineração estatal e a geração de empregos, mantendo a coordenação com a Corporação Mineira da Bolívia. Ao mesmo tempo, descreveu os bloqueios como parte de uma ação organizada de desestabilização ligada ao narcoterrorismo, acusação apresentada publicamente sem provas.
O governo também responsabilizou o ex-presidente Evo Morales pelos protestos. Morales rejeitou a acusação e afirmou que a mobilização reúne professores, mineiros, camponeses, comunidades indígenas e outros grupos sociais que não estão sob seu controle.
As divisões dentro do movimento de protesto permanecem. Algumas organizações, entre elas a Confederação Nacional de Mulheres Camponesas Indígenas Bartolina Sisa, continuam exigindo a renúncia de Paz e rejeitam o fim dos bloqueios. A crise política, portanto, segue aberta apesar da redução das interrupções nas estradas.



