Austrália e governos insulares realizarão uma pré-COP em Tuvalu e Fiji de 5 a 8 de outubro para colocar o Pacífico no centro da diplomacia climática. Os organizadores esperavam que líderes famosos visitassem um atol ameaçado pela elevação do mar antes da COP31 na Turquia.
A lista internacional ficou abaixo da ambição. Fora do bloco do Pacífico, apenas líderes de Antígua e Barbuda, Cabo Verde, Tailândia, Maldivas e Timor-Leste estão confirmados. Fiji espera, porém, cerca de 30 representantes de países e instituições no segmento de líderes.
O ministro de Vanuatu Ralph Regenvanu disse que a baixa presença reflete a pouca prioridade dada à maior ameaça ao futuro das ilhas. O presidente de Palau, Surangel Whipps Jr., desafiou os países que se dizem parceiros do Pacífico a provar compromisso com sua presença.
A agenda inclui preservar a meta de 1,5 grau, proteger oceanos e ampliar financiamento. Governos buscam contribuições para uma Facilidade de Resiliência do Pacífico destinada a financiar adaptação e fortalecer comunidades, infraestrutura e economias expostas a choques climáticos.
Os participantes passarão cerca de um dia em Tuvalu, com aproximadamente 10 mil habitantes, antes de assinar declaração em Fiji. Viajarão de canoa e visitarão terras recuperadas para resistir ao nível do mar e projetos solares que reduzem a dependência do diesel importado.
Cerca de 4 mil delegados são esperados em Fiji para avançar acordos destinados à COP31 de novembro na Turquia. A Austrália queria sediar a primeira COP do Pacífico; a Turquia ganhou a sede, e Canberra manteve papel negociador e prometeu maior participação insular.
A posição australiana segue contestada. É o maior doador do Pacífico, mas também grande exportador de carvão e gás natural liquefeito, no valor de cerca de US$ 100 bilhões anuais, e continua aprovando projetos fósseis. As ilhas dependem da ajuda e cobram coerência energética.
A importância da reunião dependerá menos de celebridades que de resultados mensuráveis: financiamento, influência e compromissos que cheguem à COP31. A lista reduzida é revés diplomático, mas Tuvalu e Fiji ainda oferecem plataforma rara para mostrar vulnerabilidades e soluções práticas aos tomadores de decisão.



