A decisão do presidente José Antonio Kast de integrar o Chile ao Escudo das Américas, liderado pelos Estados Unidos, provocou disputa interna mais profunda que nos demais países. O governo aderiu em Nova York em 22 de setembro com outros 14 Estados, após seis meses como observador.
O chanceler Francisco Pérez Mackenna disse ao Congresso que a iniciativa é declaração política, não tratado, sem assinaturas ou obrigações vinculantes. O governo destaca coordenação voluntária contra o crime transnacional e afirma que cooperar com Washington não significa subordinação.
O texto publicado pelo Departamento de Estado é mais amplo que a apresentação chilena inicial. Inclui pilares econômico, de segurança e multilateral, com controle de investimentos, cadeias de minerais críticos e posições coordenadas em fóruns. Também classifica organizações criminosas como ameaça comum.
Os ex-presidentes Michelle Bachelet e Gabriel Boric pediram conjuntamente que Kast reconsidere a adesão. Alertaram que o Chile não deve ser obrigado a escolher um bloco geopolítico e questionaram se a soberania continental pode enfraquecer a soberania nacional e a autonomia estratégica.
O governo rejeitou as críticas. O ministro Claudio Alvarado disse que o arranjo busca defender soberania e autonomia. Autoridades afirmaram ainda que o Chile obteve mudanças no texto para mencionar explicitamente o respeito à soberania e à autodeterminação de cada nação.
A forma de comunicar a decisão aumentou a polêmica. O primeiro informe da chancelaria falou apenas de segurança voluntária e omitiu os pilares econômico e diplomático do texto americano. O ex-chanceler Mariano Fernández disse que Pérez Mackenna reconheceu pressão dos EUA.
Cinco deputados opositores pediram à Controladoria revisão da legalidade, descrevendo a declaração como tratado disfarçado. Pérez Mackenna respondeu que não houve assinatura e reiterou que o documento não é vinculante. O Senado marcou sessão especial para 7 de outubro.
A disputa depende da interpretação institucional e da prática futura. Se o Chile coordenar investimentos, minerais ou votos multilaterais, críticos dirão que o texto vai além do crime. O governo terá de provar a natureza voluntária, enquanto Congresso e Controladoria avaliam maior controle constitucional.



