Os eleitores suíços rejeitaram de forma contundente uma iniciativa constitucional que pretendia impor uma definição mais estreita da neutralidade nacional. Os resultados federais finais mostraram 70,2% de votos contrários, e a proposta perdeu nos 26 cantões.
O projeto definiria a neutralidade suíça como perpétua e armada. Também proibiria a entrada ou cooperação com alianças militares e de defesa, exceto se a Suíça fosse atacada ou houvesse preparativos concretos para uma agressão.
A iniciativa ainda impediria Berna de aderir a sanções contra Estados beligerantes sem aprovação do Conselho de Segurança da ONU. Sua derrota preserva o poder do governo de avaliar medidas econômicas individualmente.
O Partido Popular Suíço, de direita, e o grupo Pró-Suíça apoiaram a mudança. Eles afirmaram que adotar sanções da União Europeia contra a Rússia e ampliar contatos com a Otan enfraqueceu a credibilidade suíça como mediadora independente.
O governo federal, o Parlamento e quase todos os demais grandes partidos se opuseram. O chanceler Ignazio Cassis disse que o resultado não rejeita a neutralidade e que a Suíça continuará neutra sem abrir mão de proteger sua segurança.
Cassis afirmou que a estrutura atual permite cooperar com parceiros quando isso fortalece a segurança nacional, também dependente da estabilidade dos vizinhos e da Europa. Os adversários alertaram que esperar um ataque iminente deixaria pouco tempo de preparação.
A votação mantém uma prática flexível desenvolvida desde o reconhecimento internacional da neutralidade suíça em 1815. Berna segue fora de alianças militares, mas poderá treinar com parceiros da Otan e acompanhar sanções selecionadas.



