Metade dos eleitores brasileiros acredita que outros países podem interferir na eleição nacional de 2026, enquanto 43% descartam essa possibilidade e 8% não sabem ou não responderam. O resultado insere a influência externa no debate após o registro formal das candidaturas presidenciais.
Entre todos os entrevistados, 32% percebem uma chance de interferência e a consideram um problema. Outros 18% veem a intervenção como possível, mas não a julgam prejudicial, mostrando que a preocupação não é uniforme nem mesmo entre aqueles que admitem esse cenário.
A preferência política molda fortemente o resultado. Entre os eleitores do presidente Lula, 36% veem risco problemático de intervenção e 9% acreditam que ela pode ocorrer sem considerá-la preocupante. Entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro, os índices são, respectivamente, 24% e 32%.
A pesquisa entrevistou pessoalmente 2.058 eleitores entre 18 e 20 de agosto em pontos de fluxo populacional. A margem máxima de erro é de dois pontos percentuais, com confiança de 95%, e este é o primeiro levantamento desse tipo desde o começo oficial da campanha.
A pergunta foi feita em um contexto de declarações e medidas de líderes estrangeiros. O governo Donald Trump sobretaxou produtos brasileiros, voltou a discutir sanções contra o ministro Alexandre de Moraes e recebeu a recusa brasileira de vistos para dois funcionários do Departamento de Estado.
Lula disse depois a Trump que as medidas tarifárias se baseavam em alegações infundadas envolvendo Pix, etanol e importações vinculadas a trabalho forçado. A disputa reuniu política comercial, retaliação diplomática e integridade eleitoral numa mesma conversa política.
O presidente argentino Javier Milei também criticou Lula e autoridades judiciais brasileiras e participou da convenção partidária que confirmou a candidatura de Flávio Bolsonaro. A pesquisa mostra como essas intervenções externas são interpretadas de modo diferente pelas duas principais coalizões eleitorais.



