O ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi, viajará a Canberra para se reunir com o vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa australiano, Richard Marles. Será o contato bilateral de mais alto nível desde uma breve controvérsia provocada por comentários de Anthony Albanese. O encontro ocorrerá na terça-feira durante uma viagem de cinco dias que também inclui a Índia.
A aquisição australiana de fragatas japonesas da classe Mogami e a ampliação da cooperação em segurança estarão no centro da agenda. Marles disse que os governos avançarão a partir da declaração conjunta anunciada pelos primeiros-ministros em maio e de uma relação que continua se fortalecendo.
As áreas previstas incluem desenvolvimento e produção conjuntos de capacidades de defesa, testes avançados de armas, treinamento e exercícios mais intensos e maior cooperação de informações e inteligência. O programa coloca integração industrial e coordenação operacional dentro da estratégia regional dos dois países.
A Austrália concordou em agosto de 2025 em adquirir embarcações da classe Mogami para a Marinha Real Australiana. Canberra planeja gastar 10 bilhões de dólares australianos ao longo de uma década em três fragatas, com a primeira entrega esperada para dezembro de 2029.
A visita de Koizumi ocorre após críticas a comentários de Albanese em um podcast sobre dois melões japoneses oferecidos pela primeira-ministra Sanae Takaichi. A oposição australiana e parte da imprensa interpretaram seus gestos e palavras como insinuação sexual capaz de prejudicar as relações com um importante parceiro asiático, algo que Albanese negou.
Tóquio procurou conter o episódio em vez de ampliá-lo. O embaixador Kazuhiro Suzuki destacou o ambiente descontraído e a confiança pessoal durante a visita de Takaichi à Austrália em maio, enquanto um telegrama diplomático vazado disse que o Japão não via má intenção e atribuiu a controvérsia à cobertura sensacionalista australiana.
A visita também tem contexto político mais amplo. Koizumi é considerado um possível futuro primeiro-ministro, enquanto Takaichi enfrenta queda de apoio e pressões do custo de vida. A China criticou Koizumi separadamente depois de sua visita ao santuário Yasukuni, associado por Pequim e Seul ao passado de guerra japonês.
Ao recolocar fragatas, tecnologia, exercícios e inteligência no centro, a reunião em Canberra mostra que a relação estratégica permanece protegida da recente controvérsia midiática. A agenda prática se volta para integração duradoura de defesa e uma abordagem comum à segurança no Indo-Pacífico.



