Gana adiou reuniões bilaterais com a África do Sul esperadas para o próximo mês, acrescentando uma camada diplomática à crescente preocupação com a violência antimigrante na África do Sul. A decisão suspende um encontro de alto nível que havia sido planejado no âmbito da Comissão Binacional África do Sul-Gana.
As reuniões deveriam ser sediadas por Gana e copresididas pelo presidente ganês John Dramani Mahama e pelo presidente sul-africano Cyril Ramaphosa. O porta-voz do governo de Gana, Felix Kwakye Ofosu, disse que o clima em torno dos ataques contra migrantes provavelmente teria ofuscado a agenda.
Autoridades sul-africanas disseram que a sessão da comissão havia sido discutida meses antes e que Pretória soube da intenção de Gana de adiar o encontro quando buscou confirmá-lo. O porta-voz de Ramaphosa, Vincent Magwenya, afirmou que os dois governos continuariam trabalhando por canais diplomáticos para encontrar uma data mutuamente conveniente.
O adiamento ocorre após meses de protestos antimigrantes na África do Sul. Muitas manifestações permaneceram pacíficas, mas algumas escalaram para a violência, incluindo ataques contra estrangeiros e saques a lojas de propriedade de estrangeiros.
Gana repatriou centenas de seus cidadãos antes de um prazo de 30 de junho anunciado por um movimento sul-africano antimigrante para que estrangeiros sem documentos deixassem o país. O Ministério das Relações Exteriores de Gana também disse na semana passada que um cidadão ganês havia sido morto a tiros no township de Khayelitsha, na Cidade do Cabo, durante manifestações anti-imigração em 30 de junho.
A polícia sul-africana contestou parcialmente essa versão, dizendo não ter registro de um incidente desse tipo nessa data. Informou que um cidadão ganês havia sido morto um dia antes em outro assentamento da Cidade do Cabo, mas que o caso era considerado ligado a extorsão, e não a sentimento antimigrante.
Para os dois governos, o adiamento mantém aberta a diplomacia bilateral formal enquanto reconhece a sensibilidade política do momento. Gana afirmou que valoriza sua relação com a África do Sul, mas quer que o engajamento em nível presidencial ocorra quando a questão já não dominar o ambiente das conversas.



