O setor de trigo da África do Sul contestou a decisão do governo de manter em 279 dólares por tonelada o preço doméstico de referência denominado em dólares, argumentando que o atual sistema tarifário não protege adequadamente os produtores locais.
O ministro do Comércio, Indústria e Concorrência, Parks Tau, rejeitou um pedido da GrainSA e da Associação Sul-Africana de Comércio de Cereais e Oleaginosas para elevar o preço de referência a 289 dólares por tonelada. O mecanismo é utilizado para definir o nível de proteção tarifária aplicado ao trigo importado.
A decisão ocorreu após uma investigação de dois anos da Comissão de Administração do Comércio Internacional da África do Sul. O órgão concluiu que o preço atual continuava suficiente, estimando uma margem de 18% sobre os custos médios de produção e uma vantagem de preço de cerca de 16% para o trigo nacional em relação ao importado.
A GrainSA contestou essa avaliação, afirmando que os produtores enfrentam aumento dos custos de insumos e financiamento, mercados voláteis, problemas logísticos e concorrência internacional subsidiada. A organização disse que a África do Sul perdeu 19 mil hectares de produção de trigo nos últimos cinco anos e alertou que a interrupção da atividade no Cabo Ocidental poderia ameaçar 8.500 empregos.
Representantes do setor também argumentaram que o sistema atual não recompensa o custo e o risco associados à produção de trigo de maior qualidade. A GrainSA afirmou que analisará todas as alternativas disponíveis para contestar a decisão, incluindo uma possível ação judicial.
A associação de comércio de cereais e oleaginosas criticou separadamente os atrasos na administração tarifária. Segundo a entidade, uma tarifa de importação zero acionada em 12 de maio ainda não havia sido implementada em 18 de junho, fazendo com que os consumidores pagassem mais do que deveriam pelo trigo importado.
A África do Sul importa cerca de 1,8 milhão de toneladas de trigo, volume equivalente a aproximadamente metade da demanda interna. A disputa agora se concentra em saber se o sistema vigente oferece proteção proporcional aos agricultores sem impor custos desnecessários a moinhos e consumidores.
