O governo do Zimbábue deve mais de US$ 228 milhões a produtores de platina em receitas de exportação não pagas e acumuladas sob o sistema nacional de retenção cambial.
Os exportadores são obrigados a converter 30% de suas receitas em moeda local por meio de canais governamentais. Os pagamentos em moeda local sofrem atrasos frequentes, impedindo que as mineradoras tenham acesso oportuno a parte de sua renda de exportação.
Alex Mhembere, presidente da Associação dos Produtores de Platina, afirmou que os valores atrasados até maio de 2026 agravavam a situação de empresas que já enfrentavam custos operacionais elevados e fornecimento instável de eletricidade. Segundo ele, os repetidos pedidos por pagamentos mais rápidos produziram pouca mudança.
O Ministério das Finanças reconheceu a dívida e atribuiu os atrasos às limitações da receita pública. O Zimbábue utiliza as divisas retidas para financiar projetos de infraestrutura, importações essenciais e o pagamento de empréstimos externos.
Produtores individuais divulgaram saldos expressivos em aberto. A Valterra Platinum afirmou ter US$ 100 milhões a receber por receitas de exportação de 2025 geradas por suas operações em Unki, enquanto a Impala Platinum informou que o valor devido à sua unidade Zimplats era de US$ 78 milhões.
Produtores de platina pertencentes a grupos mineradores sul-africanos, incluindo a Sibanye Stillwater, geraram juntos US$ 1,8 bilhão em receitas de exportação em 2025. O Zimbábue é o terceiro maior produtor mundial de metais do grupo da platina, atrás da África do Sul e da Rússia.
Os metais do grupo da platina são a segunda exportação mineral mais valiosa do país, depois do ouro, e são amplamente usados em catalisadores que reduzem as emissões de veículos. Produtores de ouro também criticaram o sistema de retenção, alegando que a conversão para uma moeda local sobrevalorizada reduz o valor de suas receitas de exportação.
