Europa

Protestos escolares se espalham e fecham cerca de 400 colégios na França

Estudantes que cobram melhores salas, pessoal e financiamento enfrentaram a polícia pela França, enquanto o governo combinava prisões em massa, fechamentos e promessas de diálogo diante da violência crescente.

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A polícia de choque enfrentou estudantes em toda a França quando um protesto por condições de ensino e financiamento se espalhou da região de Paris. Gás lacrimogêneo cobriu Estrasburgo, fogos de artifício foram lançados contra policiais em Marselha e lixeiras queimaram em Rennes.

Em La Ciotat, perto de Marselha, autoridades educacionais disseram que um jovem borrifou gasolina em um professor. Vídeo da BFM TV mostrou uma pessoa mascarada jogando líquido, mas a Reuters não verificou as circunstâncias. Incêndios e rojões também ocorreram diante de uma escola em Pantin.

A agitação começou nos arredores de Paris e ficou mais violenta ao alcançar outras cidades. O ministro do Interior, Laurent Nunez, disse que cerca de 5 mil pessoas foram detidas desde segunda-feira, a maioria adolescentes. Aproximadamente 400 colégios, um em cada dez, fecharam na sexta-feira.

O ministro da Educação, Édouard Geffray, pediu aos pais que afastassem os filhos das manifestações, enquanto a Justiça defendeu que famílias paguem pelos danos. O governo reconhece as queixas escolares, mas sustenta que violência e perturbação organizada não podem ser tratadas como protesto legítimo.

Alunos denunciam salas lotadas, falta recorrente de professores e prédios deteriorados após anos de investimento insuficiente. Alguns pais apoiam os bloqueios: diante do colégio Hélène Boucher, em Paris, um deles disse que os jovens estavam fundamentalmente certos ao exigir melhores condições.

A disputa orçamentária aprofunda o conflito. O governo prevê aumento de 1,7% no gasto educacional de 2027, abaixo da inflação, enquanto o serviço da dívida ultrapassará a educação como maior despesa. Sindicatos de professores convocaram greve em apoio aos alunos.

Organizações de direitos e opositores questionam táticas policiais contra menores, enquanto autoridades acusam ativistas da esquerda radical de incentivar ou explorar a desordem. A disputa política dificulta separar indignação espontânea, mobilização organizada e violência criminosa ocorrida ao redor dos atos.

A crise testa se o governo pode restabelecer ensino seguro sem reduzir tudo à repressão. Fechamentos protegem estudantes e funcionários no curto prazo, mas interrompem aulas. Uma resposta duradoura exige segurança, investimento confiável e um canal para a participação dos estudantes nas decisões escolares.