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Violência na Bahia testa Lula no reduto decisivo para sua reeleição

O medo das facções e da letalidade policial corrói a confiança na Bahia, onde Lula teve 72% em 2022 e precisa novamente de larga vantagem sobre Flávio Bolsonaro.

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Um assassinato em Salvador condensou a crise de segurança enfrentada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes da eleição de outubro. Evilásio Santos da Silveira Júnior, de 33 anos, saiu para comprar comida e morreu baleado numa casa abandonada de uma favela.

A polícia disse que Júnior ficou no fogo cruzado entre facções rivais e suspeitou de seu envolvimento. A família rejeitou essa versão, afirmou que ele não tinha ligação com gangues e sustentou que forças estaduais o mataram aleatoriamente durante uma operação sem provocação.

A Bahia reúne cinco das dez cidades mais letais do Brasil, mostram dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Salvador é a capital estadual mais mortífera, com quase 53 mortes violentas por 100 mil habitantes nos dados mais recentes, de 2024.

O custo político recai especialmente sobre Lula porque seu Partido dos Trabalhadores governa a Bahia e supervisiona a polícia desde 2006. Outros eleitores culpam facções nacionais que se expandiram no estado, incluindo Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital.

Lula conquistou 72% dos votos baianos no segundo turno de 2022 e recebeu mais de seis milhões de cédulas, contra 2,3 milhões para Jair Bolsonaro. Essa margem foi essencial para sua vitória nacional apertada, por 2,1 milhões.

O presidente promete um Ministério da Segurança Pública e mais recursos federais se reeleito, enquanto o senador Flávio Bolsonaro defende policiamento mais duro e grandes prisões inspiradas em El Salvador. As propostas disputam espaço com o medo diário do crime e dos abusos policiais.

A campanha de Lula ainda depende da lealdade criada pelo Bolsa Família e outros programas sociais, mas o comparecimento pode decidir se esse apoio vira voto. Moradores de Salvador agradeceram os benefícios e exigiram planos confiáveis contra a violência antes de 4 de outubro.