O alto comissário das Nações Unidas para os direitos humanos manifestou preocupação com a prisão de dirigentes da oposição após a tensa eleição presidencial da Zâmbia. Agentes de segurança invadiram, na noite da votação, uma propriedade onde estava o principal líder oposicionista, Brian Mundubile, e houve troca de tiros durante a operação.
O governo afirmou que os agentes encontraram armas militares de alto poder e detiveram 11 integrantes da oposição por representarem ameaça à segurança do Estado. Mundubile negou a versão e disse que os dirigentes estavam desarmados e foram alvo de tiros. Ele declarou estar sob proteção por razões de segurança, mas não revelou onde se encontra.
O presidente Hakainde Hichilema foi declarado vencedor de um segundo mandato de cinco anos. Os resultados oficiais deram a Mundubile cerca de 38% dos votos, mas ele rejeitou o resultado, alegou irregularidades e informou que sua aliança de oposição o contestará nos tribunais.
O alto comissário Volker Türk pediu às autoridades zambianas que encerrem as prisões arbitrárias e apresentem rapidamente os detidos a um tribunal para responder a eventuais acusações. O governo não informou onde os 11 dirigentes estão presos nem quais crimes podem enfrentar. Mundubile também afirmou que um ex-ministro foi baleado durante a operação e continua desaparecido.
O período eleitoral foi excepcionalmente tenso para um país rico em cobre que, em geral, realiza votações pacíficas desde o retorno à democracia multipartidária em 1991. A apuração ficou suspensa por várias horas no dia seguinte à eleição; a comissão eleitoral citou ataques contra funcionários em algumas seções e roubo de cédulas, sem atribuir responsabilidades.



