América Latina

Chile e Venezuela restabelecem laços consulares como primeiro passo para normalização plena

Os governos de José Antonio Kast e Delcy Rodríguez abriram um roteiro diplomático gradual voltado a serviços para centenas de milhares de residentes, migração, segurança e cooperação econômica.

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Chile e Venezuela concordaram em restabelecer relações consulares como primeira etapa de uma normalização gradual após dois anos de ruptura diplomática. Os governos disseram que o objetivo imediato é oferecer proteção e serviços aos cidadãos residentes no outro país.

O roteiro foi negociado pela administração do presidente chileno José Antonio Kast e pelo governo venezuelano liderado interinamente por Delcy Rodríguez. O chanceler Félix Plasencia descreveu a iniciativa como processo baseado em diálogo, reciprocidade, respeito e direito internacional.

Kast chamou a decisão de início de uma nova fase bilateral. Apontou segurança, migração e desenvolvimento econômico como principais desafios comuns e reconheceu o trabalho metódico das equipes diplomáticas nas duas capitais.

A dimensão consular tem peso demográfico considerável. Mais de 700 mil venezuelanos vivem no Chile e cerca de 25 mil chilenos na Venezuela, deixando grandes comunidades sem mecanismos bilaterais completos durante a ruptura.

A aplicação das regras migratórias também integra o cálculo de Santiago. O Chile tem mais de 75 mil ordens de expulsão pendentes, mais da metade de venezuelanos, e Kast considera essencial o vínculo direto com Caracas para organizar voos de retorno de migrantes sem situação legal.

A relação se rompeu em julho de 2024, quando o governo de Nicolás Maduro exigiu a retirada dos representantes do Chile e de outros seis países. A medida veio após críticas da administração então liderada por Gabriel Boric à eleição presidencial venezuelana.

Um canal foi reaberto depois que o Chile prestou ajuda pelo duplo terremoto devastador de 24 de junho. O subsecretário do Interior chileno, Máximo Pavez, afirmou que a cooperação tornou mais fluida a comunicação entre os governos.

O acordo cria uma primeira camada operacional, e não a restauração imediata de relações diplomáticas plenas. O avanço será medido pelos serviços consulares, coordenação migratória e de segurança e capacidade de manter diálogo apesar das diferenças políticas.