Oriente Médio

Bloqueio naval dos Houthis ameaça abrir nova frente na guerra EUA-Irã

Os Houthis do Iêmen declararam um bloqueio naval contra a Arábia Saudita, o que pode abrir uma nova frente na guerra EUA-Irã e ameaçar o fornecimento de energia global. O anúncio ocorre enquanto os esforços diplomáticos para restaurar um cessar-fogo continuam, com os ataques dos EUA a cidades iranianas entrando em sua nona noite consecutiva.

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Os Houthis do Iêmen, alinhados com o Irã, anunciaram na segunda-feira que imporiam um bloqueio naval à Arábia Saudita, abrindo uma nova frente potencial contra os Estados Unidos em sua guerra com o Irã e aumentando a ameaça aos suprimentos de energia global e ao comércio além do Golfo.[reference:100]

As forças armadas Houthi disseram que estavam declarando "um embargo marítimo contra o inimigo saudita criminoso, baseado na equação 'olho por olho', com efeito imediato" em resposta ao que chamaram de "um cerco injusto e opressivo" imposto ao Iêmen pelos sauditas.[reference:101] Não houve resposta imediata da Arábia Saudita.[reference:102]

O anúncio ocorreu apesar de sinais de que Teerã e Washington querem retomar a diplomacia para deter um ciclo crescente de ataques que praticamente destruiu um frágil acordo provisório assinado no mês passado.[reference:103] O Ministério das Relações Exteriores do Irã disse que mediadores apresentaram "propostas" a Teerã, sinalizando que os contatos diplomáticos permanecem ativos.[reference:104] Um alto funcionário iraniano disse à Reuters que Teerã recebeu uma proposta de mediadores para um cessar-fogo de dez dias em esforços para salvar o acordo provisório, destinado a abrir caminho para um acordo duradouro para acabar com a guerra que começou em 28 de fevereiro com ataques dos EUA e de Israel ao Irã.[reference:105]

O impulso diplomático ocorreu após mais uma noite de ataques dos EUA a cidades iranianas e ataques da Guarda Revolucionária do Irã a ativos militares dos EUA em toda a região.[reference:106] O Comando Central dos EUA disse que sua nona noite consecutiva de ataques contra o Irã visava enfraquecer sua capacidade de atacar navios comerciais no estreito.[reference:107] Explosões foram relatadas em Tabriz, Chabahar, Konarak, Bandar Mahshahr e Bandar Imam Khomeini. Uma pessoa morreu e várias ficaram feridas a sudoeste de Tabriz, de acordo com a agência de notícias estatal IRNA.[reference:108]

O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) disse que dois petroleiros explodiram depois de tentar transitar pelo estreito através de uma rota "insegura".[reference:109] Separadamente, um navio foi atingido por um projétil desconhecido na costa de Omã, com vista para o Estreito de Ormuz, disse a agência de operações marítimas do Reino Unido.[reference:110] O IRGC também disse que alvejou aeronaves dos EUA no aeroporto de Aqaba, na Jordânia, com mísseis balísticos, bem como ativos militares no campo Al-Adiri do Kuwait e na Base Aérea Ali Al Salem, e posições na Síria.[reference:111]

O Irã vinha pressionando os Houthis a fechar o portão de Bab el-Mandeb para o Mar Vermelho se os EUA continuassem a atacar a infraestrutura de energia iraniana.[reference:112] O fechamento total do estreito de Bab el-Mandeb reduziria o suprimento global de petróleo em 7%, pois impediria a maioria das exportações de petróleo da Arábia Saudita de deixar a região. A interrupção se somaria ao enorme corte nos fluxos de petróleo da guerra no Golfo, que já reduziu os embarques em 10% do suprimento global.[reference:113]

O presidente dos EUA, Donald Trump, sob crescente pressão política interna devido ao aumento dos preços da gasolina desde o início da guerra e ao fechamento efetivo do vital Estreito de Ormuz pelo Irã, defendeu os últimos ataques ao Irã como uma homenagem à morte de até três militares americanos em recentes ataques iranianos.[reference:114] "Toda vez que o Irã mata um soldado americano, eles pagarão por essa morte muitas vezes mais! Esta diretiva foi transmitida ao Secretário de Guerra, Pete Hegseth, ao Presidente do Estado-Maior Conjunto, Daniel Caine, e a todos os líderes militares", escreveu Trump no Truth Social na segunda-feira.[reference:115]

O governo do Kuwait disse que uma usina de dessalinização foi atacada no domingo pelo segundo dia consecutivo, causando um incêndio.[reference:116] O exército do Kuwait disse que interceptou novamente drones iranianos.[reference:117] A guerra matou milhares de pessoas, principalmente no Irã e no Líbano, parte do qual foi ocupada por forças israelenses após ataques a Israel por combatentes do Hezbollah que disseram estar agindo em solidariedade a Teerã.[reference:118] O presidente libanês, Joseph Aoun, deve se encontrar com Trump na Casa Branca na terça-feira para apresentar um plano sobre como desarmar o Hezbollah alinhado ao Irã e garantir uma retirada israelense.[reference:119]