Mais de 80 líderes empresariais e econômicos dos Emirados viajaram a Beirute em busca de uma posição inicial na reabertura da economia libanesa. A delegação combinou prospecção comercial com a criação do Conselho Empresarial Líbano-Emirados, um canal privado permanente para a relação renovada.
A visita girou em torno de um fórum econômico bilateral de dois dias com a presença do ministro de Comércio Exterior dos Emirados, Thani Al Zeyoudi. Os participantes analisaram logística, agricultura, energia, aviação e turismo, setores nos quais o Líbano precisa de capital e experiência operacional após anos de contração.
Mohamed Yusuf Adam, vice-presidente da National Pulse, pediu que as empresas considerassem a vantagem de investir antes do aumento da concorrência. Ele afirmou que vínculos econômicos produtivos podem estabilizar a relação mais ampla, embora os pioneiros precisem avaliar cuidadosamente riscos políticos, regulatórios e financeiros.
O empresário libanês Mohamed Choucair apresentou a participação como sinal de recuperação da confiança e prometeu apoio institucional aos investidores. A visita ocorreu depois de os Emirados suspenderem em junho a proibição de viagens de seus cidadãos ao Líbano, passo prático para reconstruir turismo e negócios presenciais.
O degelo sucede anos de tensão relacionados em parte à influência do Hezbollah e à exposição libanesa à rivalidade regional. As novas autoridades prometeram colocar toda atividade militar e de segurança sob o Estado, enquanto o presidente Joseph Aoun ressaltou a soberania e a resistência à interferência externa.
Um entendimento preliminar anunciado em julho previa medidas relativas à retirada israelense e ao tratamento gradual das armas do Hezbollah, mas a execução continua politicamente sensível. Assim, a oportunidade de investimento convive com dúvidas de segurança e fragilidades institucionais geradas pela prolongada crise financeira.
O novo conselho pretende transformar a melhora diplomática em um roteiro de investimento e mecanismo operacional para as empresas. Abdulaziz Al Shamsi o descreveu como a principal plataforma para organizar a cooperação, identificar projetos viáveis e conectar companhias a órgãos públicos dos dois países.
Os possíveis ganhos são recíprocos: o Líbano precisa de investimento, empregos e laços restaurados com os mercados do Golfo, enquanto os Emirados buscam oportunidades além do petróleo e acesso ao capital humano e à diáspora libaneses. O resultado dependerá de reformas, segurança e da duração da aproximação política.



