O governo da África do Sul criticou duramente o ex-presidente Jacob Zuma depois que circularam imagens mostrando-o na Índia com Ajay Gupta, uma figura ligada ao escândalo de corrupção e influência que marcou os anos de Zuma no poder.
As imagens, incluindo uma fotografia e um vídeo compartilhados nas redes sociais, mostram o ex-chefe de Estado, de 84 anos, ao lado de Gupta em um templo em Haridwar, cidade sagrada às margens do rio Ganges. Na gravação, Zuma se refere a Gupta como "irmão e amigo" e sugere que pode estar disposto a disputar novamente a liderança nacional.
A ministra da Presidência, Khumbudzo Ntshavheni, descreveu o encontro como profundamente perturbador, argumentando que milhões de sul-africanos viveram as consequências das ações dos irmãos Gupta. O governo iniciou verificações sobre a visita.
O ministro das Relações Exteriores, Ronald Lamola, também criticou Zuma, acusando-o de conduzir uma forma de política externa paralela. Os irmãos Gupta, de origem indiana, construíram um grande império empresarial na África do Sul durante a presidência de Zuma.
Um relatório do órgão anticorrupção de 2016 e investigações judiciais posteriores afirmaram que os irmãos usaram suas relações próximas com o poder político para influenciar nomeações ministeriais e obter vantagens indevidas em entidades estatais. As acusações tornaram-se centrais no escândalo de "captura do Estado", que contribuiu para a queda de Zuma do poder em 2018.
Ajay Gupta foi declarado foragido em 2018, embora as acusações contra ele tenham sido posteriormente arquivadas. Seus irmãos Atul e Rajesh se mudaram para os Emirados Árabes Unidos, onde um tribunal rejeitou em 2023 um pedido de extradição apresentado por Pretória.
Zuma, que foi presidente da África do Sul de 2009 a 2018, hoje lidera o partido de oposição Umkhonto we Sizwe. Sua aparição com Ajay Gupta reabriu tensões políticas sobre responsabilização, influência e o legado não resolvido da era da captura do Estado.



