Tucker Carlson declarou que deixará de apoiar o Partido Republicano, transformando uma disputa prolongada com o presidente Donald Trump e com a liderança partidária em uma ruptura política explícita antes das eleições legislativas de novembro.
Em uma entrevista gravada em 18 de junho para o podcast “Can't Be Censored”, Carlson afirmou que não havia qualquer possibilidade de apoiar o partido. Ele apresentou a decisão como uma questão de lealdade nacional e argumentou que dirigentes republicanos haviam colocado os interesses de um aliado estrangeiro acima dos interesses dos cidadãos americanos.
Carlson relacionou a retirada de seu apoio à guerra contra o Irã e à influência do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, sobre as decisões de Washington. Ele acusou o governo republicano de abandonar os princípios prometidos aos eleitores e descreveu essa orientação como incompatível com sua interpretação de uma política externa baseada em “América Primeiro”.
O anúncio representa o ponto culminante de um afastamento crescente entre Carlson e Trump. O comentarista apoiou o retorno de Trump à Casa Branca na eleição de 2024, mas a relação se deteriorou à medida que ele passou a criticar com maior intensidade a política externa do governo e sua participação militar no Oriente Médio.
A ruptura tem peso político porque Carlson continua sendo uma figura influente entre o público conservador. Depois de décadas de apoio público a candidatos republicanos e de se tornar uma das personalidades mais conhecidas da Fox News, ele construiu uma plataforma independente baseada em entrevistas, comentários e seu próprio podcast.
Sua decisão também expõe um conflito mais amplo dentro do movimento que ajudou Trump a retornar ao poder. Uma corrente continua defendendo uma postura contida e não intervencionista, concentrada nas prioridades internas, enquanto outra apoia um papel internacional mais assertivo dos Estados Unidos e um alinhamento estratégico estreito com Israel.
Carlson não indicou que apoiará o Partido Democrata. Sua declaração retira uma voz de destaque da mídia da coalizão republicana em um momento sensível do calendário eleitoral e evidencia o enfraquecimento da unidade da aliança política que cercou Trump durante a campanha de 2024.



