O governo colombiano recém-empossado solicitou colaboração dos Estados Unidos em operações militares conjuntas contra redes armadas do narcotráfico, afirmou o secretário de Defesa Pete Hegseth durante uma reunião regional de segurança na Cidade do Panamá. O anúncio aponta para um realinhamento imediato entre Washington e o presidente Abelardo de la Espriella.
Hegseth disse que a administração colombiana autorizou cooperação com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos para destruir organizações que ambos os governos descrevem como redes terroristas. O conservador de la Espriella, conhecido como El Tigre, havia tomado posse na semana anterior e já defendia laços de segurança mais estreitos com Washington.
A Colômbia também se tornará o 19º membro do Escudo das Américas, iniciativa regional criada após uma cúpula convocada em março por Donald Trump com governos latino-americanos interessados em coordenar ações contra cartéis. O ex-presidente colombiano Gustavo Petro não havia sido convidado para aquela reunião.
O anúncio foi feito durante um encontro da Coalizão das Américas contra os Cartéis. O governo de de la Espriella não apresentou imediatamente sua própria descrição do pedido, deixando indefinidos o alcance, a estrutura de comando e o cronograma de eventuais operações conjuntas.
Hegseth usou o fórum para defender ataques militares americanos contra supostos narcotraficantes na região, operações que levantaram questionamentos jurídicos. Sustentou que a campanha cumpre o direito internacional humanitário e apresentou o esforço anticartel como questão de soberania nacional e regional.
O secretário de Defesa também pediu aos quase 20 países participantes que não reconheçam o Tribunal Penal Internacional. Exortou os governos a rejeitar o que descreveu como tentativas da corte de se sobrepor às instituições nacionais, embora não tenha indicado medidas adotadas pelo TPI contra as operações discutidas no Panamá.
Se implementado, o pedido colombiano ampliará o papel operacional das forças americanas na América Latina e integrará Bogotá à arquitetura de segurança promovida pela administração Trump. Também coloca questões de autoridade legal, prestação de contas e soberania ao lado do objetivo declarado de desmantelar redes violentas do narcotráfico.



