O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, declarou que Moscou está preparado para todos os cenários possíveis em meio à crescente militarização da Europa, reiterando que a Rússia não tem intenção de atacar ninguém. As declarações foram feitas durante uma conferência de imprensa após uma cúpula da ASEAN em Manila, onde Lavrov foi questionado sobre a avaliação russa do aumento militar europeu e da capacidade da UE para a confrontação.
"Não descarto nada, não conheço os seus planos, mas eles são um grupo muito ativo", disse Lavrov quando questionado se a União Europeia tem força para se envolver numa confrontação militar com a Rússia. Acrescentou que Moscou nem sequer tentaria discutir o assunto nesta fase, observando que "todos estes planos são visíveis".
O ministro russo dos Negócios Estrangeiros sublinhou que a Rússia está a tirar conclusões não apenas numa perspetiva estratégica, mas também em termos da sua prontidão material para qualquer desenvolvimento dos acontecimentos. Apontou para as avaliações regulares do Ministério da Defesa, do Serviço de Inteligência Estrangeira e do próprio presidente Vladimir Putin sobre a remilitarização da Europa.
Lavrov também criticou a União Europeia por ter "negligenciado durante muito tempo o bem-estar socioeconómico dos seus Estados-Membros", sugerindo que o foco do bloco na expansão militar se dá em detrimento das suas prioridades internas. Reiterou que o presidente Putin sublinhou consistentemente que a Rússia não tem intenção de atacar ninguém.
As declarações ocorrem num momento de elevadas tensões entre a Rússia e o Ocidente, com as nações europeias a acelerarem os gastos com defesa e a cooperação militar em resposta às ações de Moscovo na Ucrânia. Os comentários de Lavrov refletem a narrativa mais ampla do Kremlin de enquadrar o conflito como uma postura defensiva contra um Ocidente agressivo e militarizante.
A prontidão da Rússia para qualquer cenário, conforme delineado por Lavrov, sinaliza uma posição calculada destinada à dissuasão, mantendo ao mesmo tempo uma posição pública de não agressão. As declarações também servem para reforçar as narrativas internas de que a Rússia está cercada por forças hostis, justificando o investimento militar contínuo e o planeamento estratégico.
Concluída a cimeira da ASEAN, os avisos de Lavrov sublinharam o fosso crescente entre a Rússia e a Europa, sem sinais de progresso diplomático no horizonte. A posição russa mantém-se firme: Moscovo não iniciará um conflito, mas responderá de forma decisiva a qualquer ameaça percebida, uma postura que continua a moldar o panorama geopolítico da região.



