O representante permanente da Síria nas Nações Unidas, Ibrahim Olabi, afirmou ao Conselho de Segurança que Israel continua sendo o principal obstáculo à estabilidade do país, citando a persistência de operações militares e a recusa em deixar territórios ocupados na Síria.
Olabi fez a acusação durante uma sessão dedicada à transição política e humanitária síria. Ele saudou o recente memorando entre Washington e Teerã voltado à redução das tensões regionais, mas argumentou que a política israelense continua comprometendo as perspectivas de uma distensão mais ampla.
O enviado sírio também renovou o compromisso das autoridades com a justiça de transição. Ele destacou a confirmação da morte da ex-campeã nacional de xadrez Rania Al-Abbasi, de seu marido e dos seis filhos após 13 anos de incerteza, e afirmou que o governo continuará tentando esclarecer o destino dos desaparecidos durante o antigo sistema de Assad.
Olabi enumerou áreas de avanço, incluindo a detenção de cerca de 6 mil integrantes do antigo regime, uma via legal para a cidadania de curdos elegíveis, novas iniciativas de investimento em energia, o retorno de mais de 3,5 milhões de refugiados e deslocados e a continuidade das operações contra o Daesh e o tráfico transfronteiriço de armas.
O vice-enviado especial da ONU, Claudio Cordone, descreveu a transição como uma fase crítica em que oportunidade e fragilidade coexistem. Ele afirmou que forças israelenses mantêm presença quase diária no sul da Síria e realizam incursões que violam o acordo de separação de forças de 1974.
Cordone também apontou atrasos na formação da Assembleia do Povo transitória, demandas persistentes por responsabilização pelos crimes da guerra civil e progresso desigual na integração das Forças Democráticas Sírias. Segundo ele, não houve avanço no roteiro de Sweida, onde a desconfiança e os apelos por separação continuam ameaçando a unidade nacional.
As condições humanitárias permanecem graves. A ONU afirmou que cerca de 1,6 milhão de refugiados e quase 2 milhões de deslocados internos retornaram desde dezembro de 2024, mas o apelo humanitário de US$ 2,92 bilhões estava apenas 20% financiado no meio do ano. Enchentes ao longo do Eufrates afetaram mais de 17,6 mil pessoas, enquanto amplas áreas de Quneitra e Sweida continuam necessitando de assistência emergencial.


